Apesar do Judiciário ter declarado a inconstitucionalidade da greve e do forte protesto das mulheres de presidiários, em Cáceres agentes penitenciários, que iniciaram uma “operação tartaruga” no sábado (21), decidiram não encerrar o movimento e iniciam a semana com prestação de serviços reduzidos.

Não tem assembleia marcada e a categoria diz que só vai se reunir novamente quando o Governo do Estado apresentar proposta.

No sábado, o desembargador plantonista do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), João Ferreira Filho, deferiu pedido de liminar de ação declaratória de ilegalidade de greve impetrada pela Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejud), responsável pelo sistema prisional.

Um dos impactos da “operação tartaruga” é a suspensão das visitas.

Insatisfeitas com isso, na tarde deste domingo (22), mulheres e familiares de presidiários da Cadeia Pública local fecharam um trecho da BR-070 e atearam fogo em pneus sobre a rodovia.

Há informações também de manifestação em Rondonópolis (212 km ao Sul Cuiabá), também de mulheres de presos, que queimaram pneus, só que a favor dos grevistas.

Outro impacto é sobre o movimentação de presos para ir ao fórum ou ao médico. “Vamos suspender a escolta”, informou o presidente do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado de Mato Grosso (Sindspen-MT), João Batista Pereira de Souza.

Segundo ele, ainda não foram notificados da decisão judicial que só passa a valer a partir de então.

A categoria alega que está há 4 anos sem receber aumento salarial e que o último foi em 2013, de 7,5%. Reclama ainda que, quanto à remuneração, é segunda carreira do Estado que recebe piores salários, mesmo se tratando de atividade de risco.

Ao todo, para cuidar do sistema prisional, Mato Grosso tem 2.460 agentes penitenciários, boa parte com curso superior, 200 advogados e outros profissionais de nível superior, além de 220 da área administrativa.