Um grupo de aproximadamente 150 pessoas – representantes de entidades e lideranças políticas, bloqueou, esta tarde, a rodovia, na altura do bairro Alto da Glória (saída para Sorriso) para forçar o governo estadual a resolver o problema financeiro do Hospital Regional de Sinop e também dos hospitais em Sorriso e Colíder que estão com atrasos. Foram colocados pneus e ateado fogo. O bloqueio durou cerca de uma hora e por volta de 17h10 o tráfego foi normalizado. Caminhões e veículos não passaram. Uma equipe da concessionária que administra a rodovia apagou o fogo, limpou a pista e o tráfego foi normalizado.

“Nossa expectativa é que o governador atenda a população, que não deixe os funcionários sem recebimento. Quando o hospital nos notificou no dia 7 do mês passado, informando que reduziram os atendimentos, procuramos os nossos deputados, que cobraram o governador. Por isso nós esperamos até a última sexta-feira porque acreditamos que ele atenderia os pedidos. Mas, não aconteceu. Vamos lutar até que o governador pague o que deve e compre medicamento para que o hospital possa atender o povo” declarou a prefeita Rosana Martinelli, que está liderando o manifesto. “Hoje, esta medida está acontecendo em Sinop se continuar será em Sorriso, Colíder e nos demais munícipios. O que nós queremos é que as pendências sejam sanadas. As pessoas estão morrendo. O município não tem condição de continuar tratando as doenças e respondendo pelos acidentes. Sinop está gastando 35% da sua arrecadação com a saúde. Precisamos que o governador invista na saúde temos que regularizar. Se nada for sinalizado haverá mais protestos como este”, afirmou a prefeita.

O diretor financeiro do regional, Heller Paolinelli Chaves, disse que “esta mobilização é uma sinal de como a cidade está doente”. O hospital está em uma situação caótica apesar de anos e anos de negociação com o governo. Os médicos estão com quatro folha salariais em atraso, demais funcionários dois, e os vales alimentação somam um ano. E, agora chegamos ao ponto crítico, falta materiais para os procedimentos. O valor que o Estado sinalizou de R$ 4 milhões não é suficiente diante da dívida de mais de R$ 27 milhões. Porém, com o que chegar nós vamos tentar continuar andando, mesmo com este valor tão pequeno. Para o hospital voltar a caminhar seriam necessários ao menos R$ 9 milhões, imediatamente”, declarou. Ele crescentou se o montante de R$ 4 milhões referente a agosto chegar esta semana “ainda temos que analisar se vamos conseguir voltar com o setor de urgência e emergência”.

Vereadores de Sinop e Sorriso também participaram do manifesto. A câmara sinopense elaborou, hoje, um ofício que será encaminhado a prefeita de Sinop, solicitando que decrete estado de emergência de saúde pública estadual em relação ao Hospital Regional de Sinop. O documento, lido em tribuna, aponta os principais problemas enfrentados pela unidade de saúde, como a falta de repasses, paralisação dos atendimentos nos setores de emergência e urgência pediátrica, atraso de dois meses no pagamento dos funcionários (que estão há cerca de um ano sem receber o vale refeição), falta de medicamentos e materiais de trabalho como seringas, agulhas entre outros insumos. Com a suspensão de boa parte dos atendimentos, feridos em acidente e outras pessoas com necessidade de atendimento emergencial estão sendo encaminhadas a UPA 24 que está sobrecarregada.

Outro lado
A secretaria estadual de Saúde informou, esta tarde, que ainda esta semana, devem ser repassados para a Fundação de Saúde Comunitária de Sinop, que administra o hospital regional, o valor referente aos gastos do mês de agosto que somam mais R$ 4,4 milhões. Em nota, a secretaria diz que  está se empenhando para realizar os repasses que ainda não haviam sido liberados porque havia pendências de regularidades fiscais. A respeito dos valores apontados pela fundação, que seriam de diferenças nos repasses de fevereiro de 2016 a julho de 2017 que passariam de R$ 27 milhões, a secretaria estadual de Saúde informa que está em andamento uma auditoria feita por um grupo de trabalho nomeado em portaria para analisar as prestações de contas contábil e financeira apresentadas. Assim que os trabalhos forem concluídos a secretaria se posicionará sobre a questão.