O hospital regional paralisou os atendimentos no setor de emergência e urgência pediátrica, informou, há pouco, o secretário de municipal de Saúde, Marcelo Roberto Klement, em entrevista coletiva. Nem os pacientes encaminhados pelo Corpo de Bombeiros serão atendidos. “Fomos informados hoje da paralisação e que não há como os atendimentos continuarem. A maioria dos medicamentos utilizados está em falta, além das  agulhas, seringas, linhas e diversos outros insumos. Alguns médicos estão há mais de três meses sem salários, mas a paralisação é exclusivamente por não tem condições de oferecer atendimento”, disse. A administração do hospital alega que está sem receber repasses da secretaria estadual de Saúde.

Segundo o secretário o hospital está trabalhando apenas com 35% da sua capacidade de atendimento. A unidade tem 10 leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI)  pediátrica e mais 10 na adulta entre todos os setores são 148 vagas, apenas 53 estão ocupadas. “Vimos hoje que o hospital tem estrutura para triplicar seus atendimentos. Mas também observei o estoque  da unidade, a situação é caótica. Agora porque está acontecendo isto nós não sabemos. Desta o dia 7 de setembro a situação começou a se complicar”, afirmou. O secretário não soube apontar onde os atendimentos pediátricos de urgências e emergências serão realizados.

Marcelo disse ainda que alguns pacientes que estavam sendo encaminhados da Unidade Básica de Saúde (UPA), para o hospital regional seguiam com medicamentos comprados pelo município porque na unidade não tinha. “Compramos algumas caixas de medicamos e estamos enviando, todos caros que costumeiramente apenas são disponibilizados para hospitais e nós enquanto município compramos para salvar vidas. Mas não temos condições de permanecer nesta situação senão pararemos também”. De acordo com o secretário, a UPA está sofrendo os reflexos com os atendimentos reduzidos no regional. “Quantas paradas os médicos que estão fazendo as consultas fazem para poder atender uma emergência? Tudo isso causa lentidão. Nós reuniremos hoje com os coordenadores da saúde para tentarmos buscar uma solução”, acrescentou.

O secretário informou que entrou em contado com o governo do Estado, pela manhã, e a resposta que obteve é que a unidade hospitalar não é autorizada a recusar atendimentos. “Ainda não há muitas informações, ficamos sabendo da paralisação hoje. Ainda estamos chocados”.

A secretária de Saúde de Santa Carmen, Fátima Malinski, também acompanhou a visita representando os 14 municípios que fazer parte do consórcio de saúde Teles Pires. “ Já tentamos buscar algumas informações, ter um retorno por parte do governo e, até agora, nada. Não estamos questionando quem está certo ou errado apenas queremos saber qual o problemas porque parou e o que temos que fazer para voltar a funcionar. Vamos enviar um documento ao Estado solicitando informações oficiais. Precisamos fornecer atendimentos ao pacientes”, acrescentou.

Outro lado
Procurada por Só Notícias, a secretaria de Saúde encaminhou nota esclarecendo que, “em relação aos repasses à Fundação de Saúde Comunitária de Sinop, que administra o Hospital Regional de Sinop”, a secretaria “informa que os pagamentos referentes a 2017 estão pagos até o mês de julho, restando pendente apenas o mês de agosto. Os valores repassados são para o pagamento de despesas do hospital, incluindo salários. A respeito dos valores apontados, que seriam de diferenças nos repasses de fevereiro de 2016 a julho de 2017, a secretaria informa que está em andamento uma auditoria feita por um Grupo de Trabalho nomeado em portaria para analisar as prestações de contas contábil e financeira apresentadas pela fundação. Após a conclusão dos trabalhos, no prazo determinado, a secretaria se posicionará sobre a demanda”

“Quanto ao atendimento no hospital, no último dia 11 de setembro, a secretaria Estadual de Saúde, por meio de um ofício, notificou a direção do Hospital Regional de Sinop que devem ser mantidos os serviços de urgência e emergência, conforme resolução do Conselho Regional de Medicina (CRM-MT) e parecer do Conselho Federal de Medicina (CFM). Os casos mais graves devem ser atendidos no Hospital Regional de Sinop e, nos casos eletivos”, “os pacientes devem passar pela Regulação do município de Sinop para serem encaminhados aos hospitais regionais de Sorriso ou Colíder. Sobre o atendimento ambulatorial, assim que as atividades estiverem regularizadas no hospital o atendimento voltará ao normal. A secretaria informa ainda que o Escritório Regional de Saúde de Sinop está acompanhando e fazendo relatórios diários sobre a situação do Hospital Regional de Sinop”.