Dois trabalhadores que faziam a desmontagem de um armazém de soja, em Sorriso, a 420 km de Cuiabá, passaram mal e morreram enquanto estavam internados em hospitais de Mato Grosso. Uma das vítimas morreu no dia 9 deste mês no hospital de Lucas do Rio Verde, a 360 km de Cuiabá, e a outra neste domingo (20) no Hospital Regional de Sorriso. O serviço no armazém foi feito por seis pessoas no mês passado, em uma fazenda.

As famílias dos trabalhadores, que pediram para que as vítimas não fossem identificadas, disseram que os dois foram os únicos que desceram em um poço do armazém para desativar o elevador da estrutura. O trabalho de desmontagem durou duas semanas. As duas vítimas tinham 33 anos.

“Eles começaram a sentir febre, dor de cabela, ânsia de vômito e foram piorando, com falta de ar e sem conseguir respirar”, explicou a mulher de um deles por telefone. Os outros colegas levaram os dois trabalhadores para uma unidade de saúde em Sorriso, onde foram medicados e liberados.

“Eles pioraram e mandaram os dois para o Hospital Regional de Sorriso. Meu marido foi transferido para Lucas do Rio Verde. Ninguém soube ao certo o que eles tiveram: uns disseram que seria H1N1, outros acharam que seria hantavirose e até veneno [que estava no poço onde desceram]”, disse a mulher.

O atestado de óbito de um deles consta pneumonia viral como causa da morte.

As famílias suspeitam que os dois trabalhadores tenham inalado algum tipo de veneno ou produto que estava nesse poço. “Todos os exames para rotavírus, H1N1 e hantavirose deram negativo. Os dois passaram mal e tiveram os mesmos sintomas”, disse o irmão do outro trabalhador.

Em nota, o Hospital Regional de Sorriso disse que recebeu os pacientes e realizou os primeiros atendimentos. Explicou que, a partir dos sintomas clínicos relatados, pelos próprios pacientes e médicos que fizeram os encaminhamentos, iniciou-se a investigação epidemiológica (possíveis doenças/patologias e agentes causadores). Também foi coletado material e encaminhado para o laboratório para investigação dos agentes causadores.

Alguns resultados preliminares já foram liberados, descartando inicialmente a possibilidade de hantavirose e leptospirose, causadas por vírus e bactérias, geralmente presentes em ambientes com a presença de ratos.

“A equipe médica está aguardando a liberação do resultado da análise da segunda amostra, que foi coletada para descartar com maior segurança essas doenças e o resultado de outros exames, que levam um tempo maior para serem liberados por que são encaminhados para laboratórios de referência fora do estado de Mato Grosso”, disse a direção por meio de nota.