O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) afirmou, em seu acordo de delação premiada, ter repassado o valor de R$ 600 mil a dez deputados estaduais. O valor foi parcelado em “12 vezes” de R$ 50 mil. O responsável por entregar o dinheiro da propina era o seu chefe de Gabinete, Sílvio Cesar Correa. Este dinheiro, chamado de “mensalinho”, foi pago a dez deputados estaduais e saiu das obras do MT Integrado.

Entre os parlamentares beneficiados com este dinheiro de propina estão Ezequiel Fonseca (atualmente deputado federal), José Domingos Fraga Filho, Hermínio Barreto (ex-deputado), Luz Marinho (ex-deputado), Airton Português (ex-deputado), Emanuel Pinheiro (atual prefeito de Cuiabá), Luciane Bezerra (atual prefeita de Juara), Alexandre César (ex-deputado), Gilmar Fabris (atual deputado), Carlos Azambuja (ex-deputado) e Baiano Filho (atual deputado).

De acordo com parte da delação, durante a gestão do ex-governador foram rotineiramente realizados pagamentos de propinas com o auxílio de Silvio. O intuito era o de manter a governabilidade, ter as contas aprovadas e não ter nenhum dos membros do alto escalão do governo investigado em Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Em 2013, foi lançado o programa MT Integrado – obras de pavimentação no Estado. Por conta do tamanho do projeto, seriam investidos R$ 1,5 bilhão. Durante a execução deste programa, Silval ajustou com as empreiteiras que, a cada pagamento de medição realizado, haveria um retorno de um percentual da parcela quitada. Esta propina servia para custear o “mensalinho” ajustado com os deputados, garantir a governabilidade e a manutenção do esquema.

O documento também aponta que o governador também pagou valores a outros parlamentares em outras situações. Em 2015, Silval Barbosa pretendia garantir a aprovação de suas contas de governo de 2014. “Para isso, por meio de seu filho, Rodrigo Barbosa e seu irmão Antônio da Cunha Barbosa Filho trataram com Antônio Gois, representante do então deputado estadual Silvano Amaral um pagamento no valor de R$ 200 mil para que ele votasse favoravelmente na comissão para aprovação das contas do ex-governador”

A delação também cita que o deputado estadual Romoaldo Júnior “auxiliou Rodrigo Barbosa e o irmão de Silval a manter contato com o presidente da comissão, deputado estadual Wagner Ramos, pagando R$ 250 mil.” O esquema também era para a aprovação das contas.

O deputado Domingos Fraga Filho também aparece novamente recebendo o valor de R$ 200 mil para a aprovação. Zé Domingos era o terceiro membro desta comissão na Assembleia Legislativa que analisava as contas de governo de Silval Barbosa.

O documento aponta que Silval estaria tratando pagamento de propina para o deputado estadual Oscar Bezerra, que foi o presidente da CPI das Obras da Copa. O valor giraria em torno de R$ 15 milhões para isentar o ex-governador de responsabilidade sobre eventuais irregularidades.

O filho de Silval apontou que no período em que seu pai esteve preso também foi procurado por outro integrante da mesma CPI, deputado Wagner Ramos, e este teria solicitado R$ 10 milhões para isentar o ex-governador de eventual responsabilidade.

Em uma segunda reunião, que teria sido gravada por Rodrigo, ficou acertada a quantia de R$ 7 milhões para ser dividida entre os membros da CPI. Porém, o pagamento não foi realizado, já que Rodrigo não mais procurou o deputado estadual.