A Polícia Federal divulgou, há pouco, balanço da Operação Transbordo, com o objetivo de desmantelar uma organização criminosa especializada no tráfico interestadual de cocaína em larga escala. O objetivo era prender 5 pessoas em Mato Grosso – uma em Cuiabá, duas em Várzea Grande e duas em Rondonópolis. Em Tangará, foi cumprido mandado de condução coercitiva para prestar depoimentos. Também foram cumpridos mandados em São Carlos (SP), Pedreira (SP) e São José do Rio Preto (SP). A Terceira Vara Criminal de Várzea Grande determinou, ainda, o bloqueio de contas bancárias utilizadas pelos investigados, além do sequestro de bens.

A PF informa que a quadrilha usava aviões, carros e caminhões para transportar droga, alternando os modais de transporte para dificultar a ação da polícia. Na ação de hoje, estão sendo cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão, além da realização de diversas oitivas de investigados que já foram presos no curso da investigação.

Durante a fase sigilosa da investigação, autorizados pela Vara Criminal de Várzea Grande, policiais federais monitoraram diuturnamente o grupo que era chefiado por dois falsos comerciantes residentes nesta cidade. A quadrilha era também integrada por pilotos de aviões, caminhoneiros, seguranças armados e “pisteiros”, assim chamados os homens contratados para fazer o transbordo da droga das aeronaves para camionetes e em seguida para caminhões, os quais partiam para os centros distribuidores e consumidores, notadamente São Paulo e Goiás.

A investigação teve início após uma abordagem realizada pela Polícia Militar em Alto Garças, no Mato Grosso, em março de 2017. As circunstâncias da abordagem indicaram que os traficantes haviam movimentado uma carga de drogas por via aérea e terrestre, utilizando clandestinamente a pista de pouso de uma fazenda da região, pertencente a um grupo agroindustrial. Dia após, parte desta droga (cerca de 74 kg) foi interceptada pela PF em Bálsamo (SP), com apoio do TOR – Tático Ostensivo Rodoviário, órgão da Polícia Militar do estado de São Paulo.

Embora não tenham apreendido a droga durante a abordagem, os militares de Alto Garças repassaram informações para a Polícia Federal de Rondonópolis, que deu início à identificação e desmantelamento da rede de associados que operavam as empreitadas criminosas. Nesta fase, a PF deparou-se com vários indivíduos já conhecidos pelo envolvimento com o narcotráfico, muitos deles já presos e condenados em operações recentes.

Desde então foram apreendidos 937 quilos de cocaína em três situações distintas coordenadas pela PF com apoio de outras forças policiais em Bálsamo (SP), Alto Garças e Tangará da Serra. Nestes eventos nove indivíduos foram presos em flagrante, sendo ainda apreendidos um avião bimotor (parcialmente destruído pelos próprios traficantes), um caminhão bi trem e três veículos utilitários.

Em abril deste ano, a Polícia Federal monitorou integrantes da quadrilha e interceptou em Alto Garças, com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), um lote de 443 quilos de cocaína que estava sendo transportado em meio à carga de grãos num caminhão bi trem, escoltado por um carro utilitário.

Mesmo cientes da apreensão da droga em Alto Garças e da prisão de três associados, surpreendentemente, poucas horas depois, os chefes da organização criminosa mantiveram os planos de pousar um avião com a carga de cocaína em Tangará da Serra, resultando na prisão de mais cinco associados.

Normalmente, após prejuízos vultosos e prisão de associados, os líderes das quadrilhas reavaliam os riscos e remodelam o modus operandi, porém, neste caso, por causa da pressão das facções criminosas que compraram os lotes de cocaína, os lideres resolveram manter a recepção do segundo lote, porém aumentando as medidas de contenção armada e consequentemente aumentando riscos para os policiais envolvidos.

No dia seguinte à operação em Alto Garças, um avião bimotor pousou clandestinamente na pista de uma fazenda em Tangará da Serra, transportando 420 quilos de cocaína. A ação foi monitorada por policiais federais e militares. Durante abordagem dos traficantes, após o pouso da aeronave, seguranças armados da quadrilha reagiram e houve tiroteio com os federais. No revide dois criminosos foram atingidos sem gravidade.

A operação ganhou nome de Transbordo devido ao modus operandi utilizado pela organização criminosa de baldear a carga ilícita até o destino final. A informação é da assessoria da PF.