O Ibovespa disparou após a informação de que o juiz federal Sérgio Moro condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiroe corrupção passiva no caso envolvendo um apartamento tríplex no Guarujá. O dólar, por sua vez, passou a cair mais de 1% e se aproximar dos R$ 3,20.

Às 14h20 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa registrava alta de 1,13%, aos 64.495 pontos, chegando a saltar quase 500 pontos em apenas cinco minutos após a notícia ser divulgada. Enquanto isso, o dólar comercial recuava 1,13%, cotado a R$ 3,2163 na venda, ao passo que o contrato futuro do dólar com vencimento em agosto tinha perdas de 1,28%, para R$ 3,226.

Segundo o Ministério Público Federal, que ofereceu denúncia em setembro do ano passado, teriam sido repassados ao petista R$ 3,7 milhões em propina por conta de três contratos entre a empreiteira OAS e a Petrobras. O repasse teria ocorrido por meio do imóvel e do pagamento pelo armazenamento de bens recebidos por Lula entre 2011 e 2016 como presentes recebidos durante o mandato.

Os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 caíam 7 pontos-base, a 8,71%, ao passo que os DIs para janeiro de 2021 recuavam 18 pontos-base, a 9,77%. Movimentam o mercado de renda fixa também os dados de vendas do varejo abaixo das expectativas do mercado em maio.

Outros destaques

Mais cedo, o destaque para o mercado ficava com a vitória com folga da reforma trabalhista no Senado, fato que deverá ser usado pelo governo na defesa das condições de Michel Temer em se manter na presidência e sua capacidade de conduzir a agenda econômica. O placar de 50 votos favoráveis indica quórum constitucional, ou seja, garantiria a aprovação mesmo de propostas de emenda à Constituição, caso da reforma da Previdência.

Apesar disso, é importante a ponderação de que esta matéria é mais complexa e conta com maior resistência na sociedade assim como no próprio parlamento, e o projeto de flexibilização das leis trabalhistas já estava acordado com membros do Legislativo. Ainda assim, proposições polêmicas no texto foram negociadas com senadores e o peemedebista se comprometeu a editar medida provisória estabelecendo alterações pontuais.

Outra ressalva importante é que as vidas na Câmara e no Senado não necessariamente caminham juntas, o que faz com que a vitória em uma das casas, em muitos casos, não seja transferível à outra. “Temer ganhou fôlego. Gasta agora todas as suas forças em sobreviver na CCJ e no plenário [da Câmara dos Deputados]. O timing da votação na comissão (quanto mais rápido, melhor) e a esperada segunda denúncia de Rodrigo Janot são ingredientes importantes”, observou a equipe de análise política da XP Investimentos.

“Na apreciação da primeira denúncia, um placar modesto entre os 513 deputados não basta. Se não mostrar que tem uma base suficiente para continuar governando, esse respiro pode não ter adiantado de nada e seu fôlego pode acabar até a votação da esperada segunda denúncia da Procuradoria”, complementou o time especialistas da XP.