Os exames de alcoolemia, toxicológico geral e de pesquisa de veneno estão suspensos pela Politec (Perícia Oficial Técnica) por falta de material para o funcionamento de um aparelho que realiza esses testes. O primeiro exame não é feito há um ano e, os outros dois, há seis meses, informou a instituição, que é ligada à Secretaria de Segurança Pública. A interrupção afeta diretamente investigações feitas pela Polícia Civil.

Segundo a Politec, a licitação para a compra dos consumíveis – como os frascos onde se armazenam os materiais e seringas, e os reagentes de extração – e gases necessários ao equipamento que faz os exames deve ser marcada para semana que vem. Um pregão realizado para aquisição dos itens foi marcado no início de maio, mas não houve interessados.

“O impacto é grande porque as perícias são essenciais em algumas investigações, que preveem a necessidade de exames mais aprofundados”, disse o delegado Wagner Bassi, presidente do sindicato da categoria. “Com certeza várias pessoas podem estar sendo absolvidas por falta de provas”.

Um dos inquéritos afetados pela falta do exame de pesquisa de veneno é o que apura a morte de Reginaldo Oliveira Martins, de 25 anos, após comer pizza e tomar sorvete e refrigerante com a namorada e o irmão dela. O caso aconteceu em Apiacás, a 1.005 km de Cuiabá, no dia 16 de março.

A Polícia Civil suspeita de envenenamento, mas não é possível afirmar que se trata desse tipo de crime sem exame pericial. “Não há como confirmar essa hipótese. Precisamos saber se havia veneno e, se sim, quais produtos usados e em quais materiais se encontravam”, disse o delegado Marcos Cezar Lyra, responsável pelo inquérito.

O delegado disse que enviou material para análise no dia seguinte ao ocorrido e que vai enviar novo ofício para cobrar o resultado pericial. “O laudo vai nos dar a possibilidade de entender a dinâmica de como aconteceu. Também vai poder confirmar o que foi apurado até agora”.