O preço do milho no mercado disponível, em Mato Grosso, fechou a semana passada com variação negativa de 5,73%, e com preço médio de R$ 13,68/sc. No mesmo período do ano passado era cotado a R$ 27,25 a saca (sc), revelando uma queda anual de 50,22% no período comparado.

Conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), as perdas da cotação do milho ao longo desse mês refletem a realidade dentro e fora do Estado e do país, com pressões internas advindas do avanço da colheita no Centro-Sul, e de pressões externas, vindas especialmente dos Estados Unidos, onde a oferta do cereal deve superar as projeções feitas para este ano.

Das 28 milhões de toneladas previstas para safra estadual de 2017, o Imea estima que até o momento cerca de 60% do volume tenha sido comercializado contra pouco mais de 84% até junho do ano passado. Entre maio e junho houve a maior movimentação de vendas antecipadas no Estado, fechando o período com avanço de 13,8 pontos percentuais (p.p), em função da também positiva movimentação do dólar ao produtor.

O calor e o tempo seco em grande parte do Estado vêm colaborando e a colheita de milho segunda-safra começa a ganhar ritmo em Mato Grosso. Até a última sexta-feira, dos mais de 4,73 milhões de hectares cultivados nessa safra, cerca de 20% estavam colhidos, contra 26% em igual momento do ano passado. Apesar do ligeiro atraso, os analistas do Imea pontuam que com a previsão de tempo seco “e o sol a pino a partir de agora, o ritmo de colheita tende a continuar ganhando força nas próximas semanas”.Do lado externo da pressão, o Imea relaciona os novos números divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês) com dados de exportações semanais de milho, que trouxeram um volume de 1,21 milhão de toneladas exportadas para a safra 2016/17. “As exportações desta safra registram envios acima do usual para o período, e um total de 45,28 milhões de toneladas já foram escoadas. Os números são 32,5% maiores que os do exercício anterior, quando registrava um acumulado de 34,17 milhões de toneladas. Deste modo, como faltam apenas dez semanas para o fim deste ano-safra, caso o ritmo de 1,12 milhão de toneladas siga nos próximos relatórios, os envios têm potencial para alcançar a previsão do USDA, de um acumulado de 56,5 milhões de toneladas a serem exportadas. Porém cabe salientar, que mesmo com este elevado volume de exportações, os estoques finais estimados serão os maiores desde a safra 1988/89, de 58,30 milhões de toneladas”, ou seja, os preços devem seguir pressionados em razão da grande oferta mundial.

A consultoria AgRural aponta que o ritmo da colheita está mais adiantado no médio-norte e oeste mato-grossenses e que os problemas na qualidade do grão têm diminuído e os produtores relatam bom rendimento.

A semana de tempo favorável possibilitou o avanço das máquinas em áreas de milho 2ª safra prontas para colher. Segundo levantamento da AgRural, a colheita havia chegado a 9,3% na região Centro-Sul até quinta- feira (22), com avanço semanal de 4,5 pontos. Porém, o ritmo está um pouco atrasado em comparação aos 12,4% do mesmo período do ano passado, mas em linha com os 8,8% da média de quatro anos.