Mato Grosso tem 62% da sua malha rodoviária reprovadas, recebendo as classificações regular, ruim ou péssima. Os dados são do Anuário da Confederação Nacional do Transporte (CNT) que analisa a evolução dos modais rodoviários no país. No Estado foram percorridos 4.731 quilômetros em 2016 e, desse total, apenas 38% (1.802 km de rodovias estaduais e federais) foram aprovados, ou seja, estão em ótimo ou bom estado de conservação.

Analisando apenas o pavimento das rodovias, os índices também não são bons. A reprovação é de 63% e 37% aprovados. Já no quesito sinalização, a situação é melhor em Mato Grosso. O anuário mostra que 67% das rodovias foram aprovadas quanto à sinalização e apenas 33% reprovadas.

Vale ressaltar também que apesar dos dados gerais continuarem negativos, os números apresentados esse ano apontam uma melhora em relação a 2005, quando começaram os levantamentos e o anuário da CNT classificou como reprovados 87,6% dos trechos avaliados à época. Estes índices permaneceram até 2014. Em 2015 a avaliação já começou a subir, mas ainda com reprovação acima dos 60%.

Análise feita pela CNT aponta que a qualidade e o crescimento da malha rodoviária em todo o país não acompanham a demanda de infraestrutura para o escoamento da produção nem para o deslocamento de pessoas. A frota de veículos aumentou 194,1%, de 2001 para 2016, mas as rodovias continuam com graves problemas de qualidade, comprometendo a segurança. No ano passado, mais da metade dos trechos avaliados pela CNT apresentaram problemas. Do total da malha, 1,7 milhão de km, apenas 12,2% (210.618,8 km) têm pavimento.

Até 2016 o Estado tinha 10.687 km de rodovias pavimentadas, sendo 3.970 km em rodovias federais e 6.697 km nas estaduais. Para Gilson Baitaca, integrante do Movimento dos Transportadores de Grãos (MTG), e que há mais de 13 anos atua na área, de forma geral a malha rodoviária pode ser considerada ruim. Conforme ele, a pavimentação e recuperação asfáltica ainda precisam ganhar qualidade e celeridade. “Tudo está acontecendo de forma muito lenta, deixando ainda muito a desejar”.

Baitaca ressalta que nas regiões de maior produção de grãos no Estado, o governo não tem conseguido manter com frequência nem mesmo os tapas buracos. Ele destaca que as rodovias estaduais que estão em melhores condições, mesmo estando ainda longe do que seria ideal, são as pedagiadas como, por exemplo, a MT-449 que liga Lucas do Rio Verde a Itanhangá. Diante desse cenário e apesar de não concordar com a concessão de rodovias no Estado, o caminhoneiro ressalta que o modelo tem se mostrado um mal necessário. “Se ainda temos vias que podemos considerar um pouco melhores, isso ocorre porque as concessionárias são obrigadas a investir. E infelizmente nós que já pagamos uma série de tributos, ainda precisamos pagar duas vezes para termos investimentos em estradas”.

Conforme ele, o que se tem visto é que o pouco que é investido pelo governo está sendo destinado a regiões de pouca demanda, as regiões de produção onde é necessário, os investimentos não têm ocorrido.

Em relação às rodovias federais, Baitaca destaca que também não estão em condições que podem ser consideradas ideias, inclusive aquelas que estão sob concessão. Conforme ele, a BR-163, uma das principais vias do Estado, possuiu um trabalho de tapa buracos “vergonhoso”. “Temos visto que empresas concessionárias, envolvidas em grandes escândalos, não tem tido condições de mantê-las em estado aceitável”.

Umas das rodovias federais que mantém um padrão de qualidade um pouco melhor é a BR-364, no trecho entre o Trevo do Lagarto até Vilhena (RO). “Mas isso porque o fluxo também é menor, mas de qualquer forma tem conseguido manter um padrão melhor que as outras”.

Para o secretário de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), Marcelo Duarte, o levantamento feito pela CNT demonstra que Mato Grosso teve uma evolução considerável na qualidade das estradas e o resultado se deve, em parte, ao fato de o governo de Mato Grosso, por meio da Sinfra, ter concluído 1.430 km de asfalto nos 2 primeiros anos da atual gestão, considerando as obras de pavimentação (712 km) e de reconstrução (718 km) executadas pelo programa Pró-Estradas.

“Os números da pesquisa revelam que o planejamento estratégico elaborado, e que vem sendo executado pelo governo de Mato Grosso, estão no rumo certo. Isso porque o Estado tem, ano após ano, melhorado suas rodovias”.

Por meio de nota, a secretaria destacou que na classificação geral da pesquisa, Mato Grosso é o estado do Centro-Oeste com maior número de estradas consideradas ótimas no ano de 2016. “Como efeito de comparação, no ano de 2013 Mato Grosso ocupava o penúltimo lugar no ranking do CentroOeste quando o assunto era a qualidade das estradas, a partir de aspectos como a qualidade do pavimento e a sinalização das vias. À época, apenas 30 km da malha de Mato Grosso tinha sido avaliada como ótima, passando para 98 km em 2014, 445 km em 2015 e 620 km em 2016”, diz trecho.

Em relação ao índice que aponta que 62% malha rodoviária foi considerada regular, ruim e péssima, a secretaria informou que tem trabalhado de forma estruturada para mudar esta realidade. “Pela primeira vez na história, o programa Pró-Estradas implantou ações focadas, não somente na pavimentação de novos trechos, mas também na reconstrução de rodovias que foram recebidas por esta gestão, em avançado estado de degradação, e também de manutenção de rodovias pavimentadas e não pavimentadas estaduais”.