Uma semana após o diretor técnico do Hospital Regional de Sorriso, Roberto Satoshi, registrar boletim de ocorrência policial para denunciar a falta de medicamentos essenciais à urgência e emergência na unidade hospitalar, a situação ainda é a mesma.

Satoshi, que é um dos 65 médicos que atuam no local, afirma que o BO é uma forma de salvaguardar a idoneidade da equipe, por causa do risco de morte de pacientes.

“Não somos negligentes, mas, desta forma, não temos como salvar vidas “, afirma. “Nem sei por que manter o hospital aberto assim”.

Nesta semana, segundo ele, ninguém morreu por conta do quadro crítico. Isso porque pediram remédio emprestado aos dois hospitais privados na cidade.

Entre os medicamentos em falta estão a adrenalina e a noradrenalina, usados em pacientes que chegam em estado grave com problemas cardiovasculares, ou seja, sofrendo um ataque cardíaco.

Outra coisa que está em falta é o surfactante pulmonar, aplicado em bebês prematuros, de pulmão ainda imaturo e que precisam disso para respirar, caso contrário podem ir a óbito.

No estoque, faltam ainda antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios e anestésicos.

Conforme Satoshi apurou, a previsão é a de que os medicamentos cheguem na quarta-feira (19), mas ainda não é certeza.

Ela comenta que o Governo do Estado garantiu que ia pagar corretamente as mensalidades usadas na manutenção do Hospital Regional de Sorriso, mas já está em atraso novamente. “Deve R$ 4 milhões. Não pagou fevereiro e março”, reclama.

Diz que ainda não conseguiu uma audiência com o atual secretário de Estado de Saúde, Luiz Soares, que tomou posse há exato um mês e já herdou a crise dos Hospitais Regionais.

Além de Sorriso, é complicada a situação também nos Regionais de Cáceres, Colíder e Sinop.

A Secretaria Estadual de Saúde foi procurada, mas ainda não se posicionou sobre o assunto.