Fechamento de 18 aviários afeta economia de cidade de MT

Associação estima que prejuízo causado é de cerca de R$ 100 mil por mês

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O fechamento de 18 aviários em Nova Marilândia (MT) tem causado prejuízo à economia do município, que tem pouco mais de três mil habitantes. Segundo a Associação dos Avicultores do município (Avimar), o prejuízo estimado com a suspensão dos trabalhos é de cerca de R$ 100 mil por mês.

Segundo os produtores, no ano passado, a agroindústria que comprava as aves suspendeu o contrato de vários criadores alegando falta de infraestrutura das granjas.

Por meio de nota, a empresa BRF Foods, que enviava frangos aos avicultores de Nova Marilância, afirmou que passou a alojar aves apenas em aviários que cumprem normativas do Ministério da Agricultura e que só retomará os envios aos locais que oferecem condições de segurança sanitária e ambiental.

Em alguns casos, após seis meses sem receber aves, algumas granjas já retomaram as atividades no município. É o caso do avicultor Juarez José da Silva, que passou seis meses com a granja vazia e só voltou a criar aves depois que fez mudanças no espaço de aproximadamente 1,2 mil m².

“Ficamos quase oito meses sem produzir frango. Precisamos adequar com a empresa e o pedido do Ministério da Agricultura, como reformar a lona, o barracão, fazer cerca em volta de tudo”, disse.

O mesmo problema é enfrentado pelo avicultor e funcionário público Ailton Souto. Da sua granja, saíam cerca de oito mil frangos para o abate a cada 45 dias. Porém, há seis meses os serviços estão suspensos e sem previsão de volta. Segundo ele, a empresa alegou que o barracão de aves se encontra muito próximo de uma rodovia, o que poderia comprometer a segurança sanitária da granja.

“[O barracão] fica a 80 metros [da rodovia]. Só que aqui em Nova Marilândia, 80% dos aviários tem estradas vicinais que passam perto. Então, se for bater nesse ponto, quase todas [as grankas] estariam fora da aequação”, afirmou.

Segundo o presidente da Avimar, Paulo César Barbosa, em média, cada aviária tem uma rentabilidade direta de R$ 4 mil a R$ 5 mil. “Então, são pelo menos R$ 80 mil a menos que diretamente circula no município e especialmente, falta para o nosso produtor”, avaliou.

Normativas

Desde maio de 2016, novas regras para a integração entre indústrias e criadores estão em vigor. Elas são válidas para contratos firmados após a criação da lei, que é uma forma de regular a atividade e resolver conflitos. Em alguns municípios de Mato Grosso, já estão sendo criadas comissões que acompanham cadeias de aves e suínos, tornando os acordos mais claros. Um fórum nacional também deve definir diretrizes para o sistema de integração.