Pesquisa mostra alto índice de hanseníase em Mato Grosso

A doença acomete os nervos periféricos lenta e gradualmente

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pele hanseniase manchasA Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza taxa de prevalência para hanseníase de até 1 caso para 10 mil habitantes (número de doentes em tratamento) para considerar a doença controlada. Porém, em Mato Grosso esse índice era de 10,19, em 2015 – aproximadamente 10 vezes mais. Dados como estes fazem parte de um recálculo sobre a incidência da doença feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em 2014, o coeficiente nacional era de 1,27 casos para 10 mil habitantes. Em 2015, caiu para 1,01. Mas os dados preocupam a Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH).

“A baixa prevalência foi alcançada apenas por um manejo operacional, tal como orientado pela OMS. Foram retirados do cálculo todos os pacientes que abandonaram o tratamento – um número aproximado de 3 mil doentes –, o que aumenta nossa preocupação quanto às possibilidades de resistência bacteriana e também aumento dos casos de reações imunológicas graves nos nervos com consequentes incapacidades”, alerta o presidente da SBH, Marco Andrey Cipriani Frade.

Além de Mato Grosso, os números da doença também chamam a atenção em várias regiões brasileiras. Roraima, Pará, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Tocantins, por exemplo, têm índices maiores que o dobro do que é preconizado pela OMS.

De acordo com o levantamento, o Brasil ainda é o segundo país em número absoluto de casos de hanseníase, atrás apenas da Índia. Dos 213.899 casos diagnosticados no mundo em 2014, cerca de 30 mil foram em território brasileiro. Em 2015, o país foi responsável por aproximadamente 90% dos casos de hanseníase nas Américas.

A SBH chama a atenção para a “grande subnotificação de casos” no país. “Há uma endemia oculta, podendo chegar a três vezes mais que o encontrado”, ressaltou.

Crianças

Entre 7% a 8% dos casos novos diagnosticados no Brasil são em crianças menores que 15 anos. “Isso ratifica o fato de termos uma endemia oculta e que teremos hanseníase ainda por muito tempo no país”, diz o presidente da SBH.

Embora seja uma doença vinculada às situações de pobreza, principalmente pelo viver em aglomerados, facilitando a transmissão entre os indivíduos, toda a sociedade está exposta ao bacilo da hanseníase e o desenvolvimento da doença depende da resposta imunológica de cada indivíduo, inclusive as classes mais favorecidas economicamente, embora a literatura diga que 90% da população têm defesa natural contra a hanseníase.

A doença

A hanseníase é uma doença incapacitante por acometer os nervos periféricos lenta e gradualmente. Sua transmissão principal se dá de homem doente para homem saudável.

Para a SBH, a população precisa urgentemente de informação sobre os sinais e sintomas da hanseníase, que não é uma doença de fácil diagnóstico e os exames existentes são capazes de detectar a bactéria em apenas 50% dos casos.

Os outros 50% apresentam sinais e sintomas que dependem de treinamento profissional para serem diagnosticados e tratados a fim de evitar incapacidades como perda de força das mãos, pés, cegueira, entre outros. Os sintomas podem se arrastar por anos sem diagnóstico na rede de atenção à saúde, exceto quando incapacitam pacientes.