Idoso barrado na entrada do Hospital Regional morre a caminho da UPA

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phpThumbIoannis Georgios Tsilfildis, de 74 anos, veio a óbito no início da noite dessa quinta-feira (15), em Sinop. De acordo com a família, o idoso começou a passar mal por volta das 18h. No desespero, encaminharam o senhor até o Hospital Regional de Sinop, onde o mesmo estava até o início da tarde. Ioannis havia ficado internado por 10 dias no Hospital e recebeu alta por volta das 13h de quinta-feira. Ao pedir socorro no Regional o paciente foi barrado no portão. De acordo com o filho Vicente Tsilfildis, um “guarda” (vigia do Hospital), negou a entrada, dizendo que o paciente deveria ser reconduzido até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), localizada no Grande Boa Esperança, há 5 quilômetros do Hospital – 15 minutos de carro.

Ioannis deu entrada na UPA com parada cardiorrespiratória, sem pulso central e com a pele da face já roxa. No prontuário médico a equipe de socorristas informou que o paciente estava com parada cardíaca e respiratória há 20 minutos e que foram realizados 8 ciclos de reanimação, com a utilização de 14 ampolas de adrenalina (utilizada para tentar reativar o músculo cardíaco). Os socorristas também fizeram 3 seções de desfibrilação, com 200 joules de potência, mas não conseguiram reverter o quadro. Foram mais de 35 minutos tentando reanimar o idoso, sem sucesso. A possível causa do óbito foi narrada como “morte súbita”.

Esse é o primeiro caso contundente de sonegação no atendimento médico e omissão de socorro no Hospital Regional de Sinop desde que a secretaria estadual de Saúde alterou a forma de atendimento na unidade. Através do ofício 041/2016/SES-MT, assinado pelo secretário de saúde, João Batista Pereira da Silva, no dia 26 de novembro, o Estado determinou que a Fundação de Saúde Comunitária Santo Antônio, gestora da unidade hospitalar, atendesse somente pacientes regulados ou encaminhados pelo Corpo de Bombeiros e a equipe de socorro da Rota do Oeste. Pacientes regulados são aqueles atendidos por outras unidades de saúde e encaminhados ao Hospital mediante sinalização positiva da central reguladora, que fica em Cuiabá.

Desde o dia 1º de dezembro o Hospital Regional de Sinop não funciona mais “de porta aberta”. A família de Ioannis, por falta de informação ou por compreender que o pai havia saído há poucas horas do Hospital, acabou encaminhando o idoso para a unidade.

Conforme Manoelito Rodrigues, a secretaria encaminhará as informações referentes ao óbito para o Ministério Público, para que investigue a situação e tome as devidas providências. A comunicação e investigação de mortes ocorridas dentro das unidades de saúde pública faz parte do protocolo.