Vem mais greve: servidores reagem e admitem greve em MT

179
A alegação de Pedro Taques é a falta de recursos em caixa para saldar o compromisso de uma única vez
A alegação de Pedro Taques é a falta de recursos em caixa para saldar o compromisso de uma única vez

O Fórum Sindical se reuniu na manhã de ontem para discutir quais as medidas a serem adotadas contra o escalonamento de salário por parte do governo do Estado. O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde e do Meio Ambiente (Sisma), Oscarlino Alves, disse que um grande ato está previsto caso a situação não mude e não descartou uma nova greve.

“A primeira providência será procurar o Ministério Público Estadual (MPE), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Tribunal de Justiça (TJ) para que eles se prontifiquem a intermediar esta conversa. O governo tomou medidas que não estão dando certo. Foram decisões unilaterais, sem consultar a gente. O Executivo tem pretensão escancarada de passar para o dia 10 o pagamento dos salários”, disse o sindicalista.

Oscarlino explicou que os servidores estão trabalhando 40 dias e recebendo por 30: “Temos uma perda salarial de um terço. Está previsto na lei o pagamento até o dia 10, mas o governador está se escorando nisto sem ao menos conversar com o servidores. Se não tivermos uma intermediação desta conversa, vamos fazer um grande ato de repúdio da mesma forma: sem negociação e diálogo”, garante.

“Não está descartada a greve novamente. O pagamento do salário no último dia útil do mês foi um avanço que tivemos no governo de Blairo Maggi e agora o governador se escorou na Constituição. Temos nossos compromissos, contas para pagar. Tem dano moral, financeiro, constrangimento. Tem servidor passando necessidade, que não tem dinheiro para comprar medicamento”, explica o presidente do Sisma.

Caso a situação não mude, o ato contra o escalonamento deve ser confirmado na próxima semana.

Nas redes sociais, Oscarlino Alves divulgou um texto criticando o escalonamento feito pelo governo do Estado no pagamento dos salários dos servidores do mês de novembro. “O governo tomou medidas que não estão dando certo. Foram decisões unilaterais, sem consultar a gente. O Executivo tem pretensão escancarada de passar para o dia 10 o pagamento dos salários”, disse o sindicalista.
Oscarlino alega que o governo se pronunciou apenas no dia 31 de outubro sobre o caso e não convocou nenhum representante sindical para se explicar.

O sindicalista criticou a falta de diálogo e a forma como vem sendo conduzido o escalonamento dos salários. Segundo ele, cada mês ocorre de maneira diferente, o que prejudica ainda mais os servidores públicos. “São milhares de pais de famílias, das áreas da saúde, educação, segurança e demais carreiras passando vexame, constrangimento, necessidades, acumulando mais dívidas, juros, encargos, etc. Sem dinheiro pra pagar seus compromissos, comer e comprar medicamentos”.

O sindicalista colocou ainda que os servidores já devem se manifestar porque o projeto de Lei Orçamentária Anual não está previsto a concessão da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores públicos, o que culminará com a perda do poder de compra dos servidores. “Sabemos que a conjuntura nacional é delicada, mas os dirigentes sindicais não aceitam ser comparados com RS e RJ, até porque contribuímos para que MT seja viável com é, sólido. Com receitas crescentes”, diz.

O escalonamento de salários foi feito pela segunda vez neste ano. O servidores públicos estaduais que recebem até R$ 3 mil receberam na segunda-feira. Os demais servidores, que recebem acima de R$ 3 mil, devem receber o salário integralmente até o dia 10 de novembro.

Em entrevista coletiva na manhã de ontem, o governador Pedro Taques (PSDB) afirmou que pagará os salários de todos os servidores até dia 10 de novembro, independente do recebimento do Auxílio Financeiro Para Fomento de Exportações (FEX).