Produtores sofrem com furtos de defensivos em MT; Famato vê insegurança

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defensivos agricolasUma onda de furtos e roubos a defensivos agrícolas nas fazendas tem tirado o sono dos produtores rurais de Mato Grosso. Só nesta semana foram registrados, pelo menos, três situações na região de Campo Novo do Parecis e uma em Diamantino. O Estado que é o maior produtor de grãos no país, só nos últimos 12 meses contabiliza prejuízos que passam dos R$ 150 milhões, segundo estimativas do setor.

O produtor rural Nei Dariva, de Dimantino, foi um dos prejudicados. Ele teve a propriedade invadida na noite dessa quinta (27), e herdou um prejuízo de R$ 30 mil. Na terça (25), temendo o pior, o agricultor fez um orçamento com uma empresa de monitoramento para instalar câmeras e alarmes na propriedade. “Não deu tempo. Dois dias depois tive a propriedade invadida. Tenho um depósito todo fechado, de concreto, alvenaria, portão de ferro e cadeado grosso, mas eles arrebentaram tudo”, lamenta.

Ele explica que o furto aconteceu na madrugada e levaram apenas parte dos defensivos. “Andaram cerca de um 1,5 km da sede e retiraram das caixas os produtos, pois o número do lote só aparece na caixa. São estratégicos”. Produtor há 18 anos na região, essa foi a primeira vez que passou por esse tipo de situação. “Eu ainda tive sorte, pois nos meus vizinhos todos já tinham passado por isso. É uma sensação terrível, de impotência”.

Conforme relata a Gerência de Combate do Crime Organizado (GCCO), os criminosos costumam agir de madrugada e há casos em que apenas um produtor contabiliza prejuízos de R$ 2 a R$ 3 milhões, numa única ação dessa possível quadrilha. Em julho deste ano, por exemplo, em Primavera do Leste, uma carga de aproximadamente R$ 2 milhões em agrotóxicos foi apreendida dentro de um galpão. Segundo a Delegacia de Roubos e Furtos (Derf), a suspeita é de que todo o carregamento tenha sido furtado ou roubado de fazendas da região.

Para a gerente do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, Vera Falleiros, esse é um problema que se estende há anos e está cada vez mais difícil de ser solucionado. “Demanda a inteligência da Polícia Civil, pois é necessário descobrir não só quem furta ou rouba, mas também quem é o receptador desse material”. Ela afirma ainda que há casos que existem o confronto entre bandidos e trabalhadores. “É triste, pois a violência chegou no campo e muitos ficam traumatizados”.

Para tentar reverter o cenário, agricultores da região enviaram um ofício à Famato e Aprosoja, pedindo medidas de segurança e soluções para o problema. Na manhã dessa quinta, o presidente da Famato, Rui Prato, se reuniu com o governador Pedro Taques para tratar sobre o tema e invasões de terras.

Segundo ele, Taques reconhece que apesar de ter contratado inúmeros policiais, é impossível que a polícia esteja em todos os lugares ao mesmo tempo. “A polícia não está dando conta de resolver isso. A gente tenta resolver como pode, colocando cachorros, gansos, mas isso não é suficiente. Talvez seja preciso investir em tecnologia, colocando câmeras, códigos de barras ou até chips nos produtos”.

Enquanto a solução não vem, produtores adotam medidas simples, mas que estão fazendo a diferença no dia-a-dia, como a manutenção de estoques baixos de defensivos, cujo volume serve apenas para uma semana de trabalho. “O jeito agora será redobrar a segurança, com câmeras, alarmes, e outros obstáculos possíveis”, conclui Nei Dariva.