Esposa de ex-ministro paga fiança e fica liberada após flagrante em posto

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Neri Geller apoia candidato a prefeito Luiz Binotti que teve material de campanha apreendido no local
Neri Geller apoia candidato a prefeito Luiz Binotti que teve material de campanha apreendido no local

A empresária Judite Maria Piccini, esposa do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura Neri Geller, foi liberada da delegacia por volta da 0h deste sábado (1º de outubro), após o pagamento de fiança no valor de R$ 15 mil. A soltura e a fiança foram determinadas pelo  juiz eleitoral Gleidson de Oliveira Grisoste, o mesmo que expediu o mandado de busca e apreensão no Posto de Combustível Geller, administrado por Judite.

A esposa do ex-ministro foi conduzida para a delegacia na tarde de ontem (30), após agentes encontrarem vales-combustível supostamente utilizados para compra de votos e 16 munições calibre 38 em uma sala anexa ao posto, onde funciona administração de uma fazenda do casal.

A denúncia chegou ao Judiciário por meio do aplicativo Pardal do Tribunal Regional Eleitoral e as investigações ocorreram ao longo desta semana. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Walter Fonseca, nas declarações de uma pessoa, cuja moto adesivada abasteceu no posto, foram detectados os indícios de irregularidade necessários para embasar o mandado de busca e apreensão.

“A denúncia chegou via Pardal e começamos a monitorar o posto. Carros adesivados iam até o posto abastecer. Abordamos uma pessoa de moto adesivada, que narrou alguns fatos. Depois disso pedimos a busca, que foi cumprida ontem e durante a execução identificamos várias notas relativas a abastecimento e planilhas suspeitas de pessoas cadastradas para abastecer combustível”, explica, em entrevista ao.

Ainda segundo Fonseca, durante a oitiva de testemunhas foi descoberto que houve situações de pessoas se dirigirem ao posto e se apresentarem como uma pessoa não cadastrada e os cabos eleitorais autorizavam o abastecimento.

O delegado disse que Judite Paccini foi ouvida ainda ontem e negou qualquer irregularidade. “Ela já foi interrogada e nega, desconhece as irregularidades, desconhecia as planilhas, disse que ficava por conta de funcionários. Quanto às munições não soube informar. Com relação à corrupção eleitoral, ela também nega e informou que fazia a venda para coligações e partidos  de forma regular”, comentou. Três funcionários foram ouvidos na condição de testemunha e liberados.

Judite prestou depoimento acompanhada de ao menos cinco advogados, sendo um deles o presidente da seccional da OAB no município, Eduardo Vilela. “Ela saiu ontem por volta da 0h por decisão do juiz eleitoral Gleidson. Demorou para sair porque o delegado ouviu todo mundo. A princípio, ela só ficou detida porque foram encontradas as munições, aí juntou as duas coisas, a denúncia de crime eleitoral e posse irregular”, esclarece.

Quanto à munição, o advogado explica que há como declarar a quem pertenciam e o motivo de estarem no escritório. “O crime eleitoral não foi comprovado a princípio. Ela negou tudo. Não conseguiram comprovar a irregularidade. O delegado tinha uma lista de quem poderia abastecer, mas tinha nota fiscal comprovando os pagamentos”, ressalta.

Em relação ao fechamento do posto, noticiado por alguns veículos, Eduardo Vilela esclarece que não houve ordem judicial para isso. O que ocorreu foi que, com a apreensão de três computadores nos quais estavam o sistema de gerenciamento do posto, não foi possível continuar o expediente. Além disso, toda a administração do local foi levada para depor. “Os CPUs vão ser periciados. Todas as notas em relação à lista de pessoas que podiam abastecer foram levadas ao delegado, são mais de 500 notas”, sustenta.

Neri apoia o candidato a prefeito Luiz Binotti (PSD), que teve material de campanha apreendido no local. A Polícia Civil também encontrou panfletos de candidatos a vereador.

Conforme o advogado, a coligação ia ao posto, pagava por determinadas quantias de combustível, indicava as placas que poderiam receber e quando esses veículos chegavam ao local, uma verificação era feita e, se tudo estivesse correto, a pessoa abastecia. Judite não foi detida em uma cela, ela aguardou dentro da delegacia até ser liberada.

A soma das penas previstas para o crime de corrupção eleitoral e posse irregular de munição pode chegar a sete anos de prisão, explica o delegado.