jose rivaO ex-deputado estadual José Riva vai prestar depoimento nesta terça-feira (30) na ação penal relativa à segunda e terceira fases da operação Sodoma, da Polícia Civil.

Riva foi denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE) juntamente com outras 17 pessoas e se tornou réu em ação penal pelos crimes de lavagem de dinheiro, concussão, extorsão, tentativa de fraude a licitação, corrupções ativa e passiva, fraude processual e organização criminosa.

Na relação dos réus estão o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), seu filho, o médico e empresário Rodrigo Barbosa, e os ex-secretários de Estado Pedro Nadaf, Marcel de Cursi e César Zílio.

De acordo com a denúncia criminal, Riva é suspeito de ter recebido até R$ 2 milhões de dinheiro oriundo de propina que seria a quitação de uma dívida mantida pelo ex-governador Silval Barbosa.

Ambos compraram uma fazenda no interior de Mato Grosso e para Silval Barbosa quitar a dívida transferiu a Riva o recebimento das propinas vindas da empresa Consignum.

De propriedade do empresário Williams Mischur, a Consignum pagava propina mensal de R$ 500 mil a R$ 700 mil para manter em vigência o contrato com o governo do Estado para oferecer empréstimos consignados aos servidores públicos estaduais.

Posteriormente, Riva articulou para a empresa de Minas Gerais Zetrasoft assumir o contrato de empréstimos consignados com o governo do Estado desde que viesse a pagar propina mensal de até R$ 1 milhão.

Porém, o plano fracassou porque a Consignum recorreu à Justiça e obteve liminar para suspender um pregão destinado à contratação de uma empresa no ramo de empréstimos consignados.

Embora o ex-deputado trabalhasse por uma nova licitação, a gestão do ex-governador Silval Barbosa firmou um termo de cooperação técnica publicado no dia 17 de fevereiro de 2014 no qual prorrogava o contrato com a Consignum por 24 meses.

A partir daí, Riva passou a travar uma guerra com a Consignum. No entanto, após várias negociações, o empresário Williams Mischur e o ex-deputado fecharam um acordo.

A propina antes paga a Silval Barbosa seria direcionada a Riva para quitar uma dívida de R$ 2,5 milhões que o ex-governador mantinha com o ex-deputado na compra de uma fazenda. Da propina de R$ 700 mil mensais que recebeu da Consignum, Riva descontava R$ 100 mil e distribuía da seguinte forma: R$ 50 mil para Pedro Elias, na época secretário de Estado de Administração; R$ 25 mil para o secretário- adjunto José de Jesus Nunes Cordeiro; e outros R$ 25 mil para Cláudio Nogueira, um dos secretários-adjuntos da Pasta.

O Ministério Público Estadual abriu um inquérito para investigar a destinação da propina paga pela Consignum. Durante fase da operação Sodoma, policiais civis apreenderam R$ 1 milhão no apartamento do empresário Willians Mischur e existe a suspeita de que o valor seria repassado para agentes da atual gestão.

O inquérito estava nas mãos do promotor Mauro Zaque. No entanto, ele declinou da investigação por ter sido secretário de Segurança Pública na atual gestão e hoje o inquérito está com Roberto Turin.

Em depoimento à Justiça, Williams Mischur disse que a quantia de R$ 1 milhão em espécie encontrada em sua casa serviria para realizar a festa de aniversário de uma das suas filhas.

Ontem, o ex-secretário de Estado de Administração, Pedro Elias, deu detalhes à juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda, da participação de José Riva no recebimento de propina.

Por outro lado, o ex-secretário Pedro Nadaf revelou que Riva figurava como beneficiário da propina, mas não participava da organização criminosa.