imgresEntre janeiro e junho de 2015 em relação ao mesmo período deste ano, o número de estupros de crianças menores de 12 anos aumentou 38,6%. No primeiro semestre foram 355 registros, contra 456 até aqui. Somando o total de denúncias feitas entre 2011 e 2015 o aumento é de 64% para a mesma faixa etária. O levantamento é da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).

Os noticiários refletem a gravidade dos números . Realmente, as reportagens nos veículos de comunicação sobre o tema estão cada vez mais frequentes. Inclusive, elas demonstram que os crimes incidem em todas as classes sociais.

Os índices são altos e preocupantes, mas dizem respeito apenas aos crimes registrados, por isso “não representam a realidade”. Conforme Eduardo Botelho, delegado titular da Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica), que garante: os números na verdade são bem maiores.

“Esses números podem ser avaliados de duas formas: o simples aumento, mas, além disso, as pessoas estão se encorajando cada vez mais a denunciar”, afirma Botelho.

Muita gente prefere omitir o fato pelo constrangimento causado à vítima e à família. Entretanto, o delegado incentiva a denúncia mesmo com os pormenores. “99% dos estupros de vulnerável não deixam testemunhas. Porém, investigar esses casos é mais fácil do que investigar, por exemplo, crimes de colarinho branco ou homicídios”, esclarece.

O delegado de polícia ainda afirma que o constrangimento é ainda maior porque os abusos estão atrelados a familiares e conhecidos da vítima e família. “Quase todos os estupros são praticados por pessoas próximas às crianças, familiares, amigos de familiares, professores. Em razão dessa proximidade, muitas vezes ela prefere não contar. Ou é acuada, às vezes não tem noção de que aquilo é errado, pode pensar que algo de ruim vai lhe acontecer”, afirma Botelho.

Ele ainda explica que quanto mais nova a criança, menor resistência terá no ato violento.

É difícil explicar o que se passa na cabeça de vítimas tão jovens, porque cada crime tem a sua história. A psicóloga Sheila Araújo afirma que, na maioria das vezes, “a vítima passa a sentir culpa. A mensagem de “é errado, mas pode’ confunde a cabeça dela. Acaba se tornando uma pessoa confusa, insegura, que tem problemas com a sexualidade”.