Justiça bloqueia R$ 93 mil de ex-delegado por “sumiço” de máquina

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delegado bens bloqueadosO juiz da Vara Especializada em Ação Civil Pública e Popular, Luis Aparecido Bortolussi, determinou o bloqueio de bens de R$ 93 mil nas contas bancárias do ex-delegado da Polícia Civil, Edgar Froés, conhecido pelos assassinatos que encomendou conhecido como “Caso Shangri-lá”. A decisão atendeu pedido do Ministério Público Estadual (MPE) e é resultado de uma ação de execução que requer o pagamento ao Estado por conta de atos de improbidade administrativa cometida por Edgar Froés no cargo de delegado da Polícia Civil.

Isso porque recebeu uma máquina fotográfica digital e não lavrou o auto de apreensão, mas recolheu o equipamento para si por período indeterminado e recusou-se a devolvê-la a proprietária. Na época, a proprietária da máquina fotográfica alegou que usava o equipamento para registrar momentos de conflito com o marido.

Assim, as cenas registradas deveriam servir de prova contra o marido no inquérito policial, mas não esperava que viesse a ter seu patrimônio subtraído indevidamente pelo então delegado Edgar Froés.

Após denúncia do fato perante a corregedoria da Polícia Civil, a máquina fotográfica digital foi devolvida, sem a lavratura do auto de apreensão. A ação de execução proposta pelo Ministério Público tramita desde 2005 e somente agora está em fase de cumprimento de sentença.

O valor total da multa é de R$ 72.581,80, referente a duas vezes a remuneração recebida, à época dos fatos, pelo exercício do cargo público de Delegado de Polícia Civil do Estado de Mato Grosso, mas foi acrescido de correção monetária pelos índices do INPC desde 30 de abril de 2003.  Froes havia apresentado como garantia do pagamento, títulos da dívida interna fundada do Estado de Minas Gerais, mas o Ministério Público Estadual verificou que o título apresentado pelo réu não tem validade nos dias atuais.

Edgar Fróes foi condenado a 30 anos e 8 meses por duplo homicídio no crime que ficou conhecido como “Caso Shangri-lá”. O ex-delegado foi o mandante do assassinato da empresária Marluce Maria Alves, 53, e do filho, o bancário Rodolfo Alves de Almeida Lopes, 24, no dia 18 de março de 2004, no bairro Shangri-lá, em Cuiabá. Froés foi excluído da Polícia Civil em 2006.