Diplomas custavam R$ 2 mil; 350 alunos teriam usado as falsificações

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Delegado Marcelo Magalhães
Delegado Marcelo Magalhães, responsável pela Operação Volta às Aulas, detalha ação da quadrilha

Três pessoas em Cuiabá foram presas durante a Operação Volta às Aulas deflagrada hoje (22) pela Polícia Civil do Paraná.

O trio supostamente vendia diplomas e históricos escolares de nível médio e fundamental pelo valor de R$ 2 mil, conforme as investigações apontaram. Pelo menos 350 alunos usaram esses documentos para realizarem matrículas em universidades.

Ao todo, foram expedidos 42 mandados judiciais, sendo nove de prisão temporária, nove de condução coercitiva – quando a pessoa é levada para prestar depoimento – e 24 de busca e apreensão.

Em Cuiabá, os envolvidos no esquema são o ex-conselheiro estadual de Educação Edson Luiz de Carvalho, Hugo Leonardo Davi, proprietário e sócio do Centro Educacional Cuiabá (Ceduc), respectivamente; e o secretário da escola, Richelle Rogério de Carvalho Porto.

Conselheiro de Educação está entre presos em operação por falsificação

Segundo o delegado do Centro de Operações Especiais da Polícia Civil do Paraná, Marcelo Magalhães, o esquema não tinha nenhuma ligação com a secretaria de Estado de Educação (Seduc). “O Edson Luiz Carvalho era membro da Câmara de Educação Profissional e Superior do Conselho Estadual de Educação. Como ele era membro do conselho, pode ser profissional da educação, pode ser pai indicado. Mas ele não é servidor da Seduc”, explica.

De acordo com o delegado, por meio da empresa Ceduc, o trio distribuía documentos que continham informações falsas sobre histórico escolar e cobrava um valor por isso.

“Os alunos interessados pagavam o valor de R$ 2 mil para fazer uma prova em um dos cursos investigados. Na sequência, essas instituições mandavam a prova  e a documentação dos alunos para cinco entidades, entre elas o Instituto Brasileiro de Ensino a Distância (Ibed). Depois, as entidades criavam uma pasta falsa com históricos escolares e outros documentos e enviava para a secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed) para a autenticação dos documentos”, conta.

Ele explica ainda que os líderes do esquema aqui em Mato Grosso eram esses três. “Eles irão ficar detidos temporariamente no Centro de Ressocialização de Cuiabá até que as investigações sejam concluídas”, frisa. O grupo pode responder por crime de falsificação de documentos.

As cidades alvo da operação no Paraná são Curitiba, Pinhais, São José dos Pinhais, Ponta Grossa, Piraí do Sul, Guarapuava, Londrina e Maringá. No Rio de Janeiro, Nova Iguaçu e capital. Em Mato Grosso, Cuiabá.

Por meio de nota, a Seduc afirma que o ex-conselheiro Edson não foi indicado pela Seduc para compor o Conselho Estadual de Educação. E ressalta ainda que ao mesmo tempo o Conselho e a Seduc instauraram processo apuratório para averiguar as possíveis irregularidades. Processo que deve ser encaminhado ao Ministério Público nos próximos dias.

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