Professores denunciam manobra do Sintep-MT para defender volta de Dilma

181

Nota de Repúdio ao Governo Taques foi aprovada em assembleia-geral numa omissão da pauta petista da mobilização nacional

Professores da rede estadual de ensino de Mato Grosso denunciam o que chamam de manobra da direção do Sintep-MT, entidade que congrega a categoria e é presidida por Henrique Lopes do Nascimento, por utilizar a mobilização salarial no Estado para pedir o retorno de Dilma Rousseff (PT) à presidência do país.

Um grupo de professores que prefere não se identificar para não sofrer represálias apontam que os trabalhadores da educação aprovaram a “Moção de Repúdio ao Governador Pedro Taques”, nesta semana, com a omissão da pauta petista da mobilização nacional.

Uma das educadoras disse que o debate era sobre PPP e RGA, mas incluíram discussão em defesa do retorno da presidente petista afastada. Afirma ter se sentido usada. A professora, que leciona numa das escolas ocupadas por estudantes em Várzea Grande, assegura que “estão usando da tática do terrorismo para convencer alunos e pais de que o governo vai cobrar mensalidade nas escolas estaduais ainda neste ano”, o que não procede.

O documento contestado pelo grupo de professores foi aprovado em assembleia-geral, na última segunda (23), e está disponível no site do Sintep e na página do sindicato nas redes sociais. O manifesto não reconhece o governo do presidente Michel Temer (PMDB), classificando-o como “ilegítimo”.

Henrique Lopes, presidente do Sintep-MT
Henrique Lopes, presidente do Sintep-MT, que inclui pauta pela volta de Dilma

“Nós, profissionais da educação, presentes na assembleia-geral do Sintep-MT, realizada no dia 23 de maio de 2016, posicionamos pelo reestabelecimento da democracia em nosso país, e em defesa dos direitos dos/as trabalhadores/as. Por isso, não reconhecemos o governo ilegítimo que assumiu o poder em âmbito federal em 12 de maio. Vamos nos empenhar na luta pela retomada da democracia, exigindo a volta da presidenta eleita democraticamente. Assim, faremos frente a qualquer ataque aos direitos dos/das trabalhadores/as e da sociedade em geral, conforme o anúncio do projeto político e econômico do governo que assumiu à revelia da democracia brasileira”, diz o documento.

No texto aprovado na assembleia, o Sintep também cobra do Governo de Mato Grosso o pagamento do RGA mais o ganho real da carreira. Acontece que, conforme anunciado em abril deste ano, o Estado já assegurou o pagamento dos 7% aos professores.

Vários professores do Estado repudiaram a atitude na página do Facebook do Sintep.  “Vocês nos enganaram e esconderam a verdade. E só através dessa moção de repúdio na internet que estamos tomando ciência. Sintep não tem que apoiar partido algum e sim os direitos dos servidores públicos”, disse uma professora. “Isso é um abuso do Sintep, falar em nome dos professores, o que não foi discutido. Nós não queremos a volta de Dilma”, afirmou outra professora na página.