segunda-feira, 27 março 2017
MT: Golpista que vendia ‘máquinas de dinheiro’ é torturado e morto

MT: Golpista que vendia ‘máquinas de dinheiro’ é torturado e morto

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viatura-da-PM20-2Um suspeito de aplicar o golpe da venda de uma máquina capaz de produzir dinheiro falso foi torturado e morto por dois supostos clientes em Nossa Senhora do Livramento, a 42 km de Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, o corpo do rapaz, identificado como Edinei Santos Lima, foi encontrado na localidade do assentamento Caninana, com sinais de tortura, após o irmão e o pai da vítima, Antônio Fogaça de Lima, prestarem queixa do desaparecimento.

Segundo a polícia, Edinei é natural do Paraná e veio para Mato Grosso junto com o pai para aplicar golpes no estado. O corpo dele foi encontrado na sexta-feira (6) em estado já avançado de decomposição. A vítima estava sem as pontas dos dedos, segundo a polícia, que agora aguarda o laudo de necropsia para afirmar a causa da morte, uma vez que o estado de decomposição impede a visualização de possíveis perfurações de balas no corpo.

De acordo com o delegado Eduardo Rizotto, da 1ª Delegacia de Polícia de Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, os dois suspeitos do crime foram localizados e presos preventivamente no último sábado (7). Um deles está detido na Polinter e o outro, em uma cela na delegacia. “Estou deliberando ainda para onde cada um vai, porque quero mantê-los separados”, disse. À polícia, os dois suspeitos do crime negaram que tenham cometido o assassinato.

As investigações tiveram início após Antonio Fogaça ser internado no Pronto-Socorro deVárzea Grande, no dia 2 deste mês. Segundo a polícia, ele havia sofrido uma emboscada no dia 29 de abril, por parte dos dois suspeitos presos, quando os três seguiam para uma chácara em Nossa Senhora do Livramento, onde a suposta venda da máquina seria consolidada. Enquanto isso, o filho, Edinei, teria permanecido em Cuiabá aguardando a finalização do negócio.

“Ele ajudava o pai e estava aguardando o retorno dele para garantir a fuga”, disse o delegado.

Conforme a polícia, no meio do caminho para a chácara, Antônio Fogaça foi obrigado a descer do veículo em que estava com um dos “clientes” e ajoelhar. Ele foi baleado na nuca, mas a bala transfixou e ficou alojada na bochecha dele.

Por acreditar que Antônio estava morto, os dois suspeitos teriam, então, roubado a aliança e a carteira da vítima e abandonaram Antônio em uma região de mato, à beira da estrada. Antônio, então, conseguiu se levantar e pedir a ajuda de um sitiante, sendo encaminhado para o Pronto-Socorro de Várzea Grande, em seguida.

Para o delegado Eduardo Rizotto, os dois suspeitos presos teriam executado Edinei e tentado matar Antônio porque um deles, morador de Várzea Grande que já tem passagens por roubo a banco e ligação com organizações criminosas, teria descoberto o golpe um dia antes de fechar o negócio. O intuito da dupla presa, segundo o delegado, seria ficar com a máquina de dinheiro ou se vingar por ter sido ludibriada.

O golpe
Segundo a polícia, as vítimas vieram a Mato Grosso para aplicar o golpe da “máquina de dinheiro”, que consiste em enganar vítimas, usando papel em branco, água com corante e algodão para fabricar cópias das cédulas. Ludibriadas, as pessoas acreditavam que podiam multiplicar o dinheiro usando a tal máquina e os golpistas, para a suposta fabricação do dinheiro, pediam grandes quantias para triplicar o valor, ficando com o dinheiro verdadeiro.

“De uma cédula verdadeira, eles falavam que faziam sete idênticas falsas”, disse o delegado.
Edinei e o pai, Antônio, vieram para Cuiabá após conhecerem, em São José dos Pinhais (PR), uma das supostas vítimas do golpe, um morador de Blumenau (SC). Na ocasião, Antônio, que já responde por crimes de estelionato no Paraná e também por latrocínio, disse ao homem que precisava de uns “clientes”.

A suposta vítima disse, então, que conhecia algumas pessoas em Mato Grosso. A dupla veio para o estado no dia 11 de abril, onde conheceram o suspeito que mora em Várzea Grande, conhecido pelo apelido de “Junior”. Todos se hospedaram no mesmo hotel e Antônio teria mostrado como funcionava a fabricação do dinheiro.

Em 29 de abril, Antônio e o filho, Edinei, retornaram para Mato Grosso em um carro da família, onde encontraram com o suspeito conhecido no Paraná, que também havia retornado ao estado em seu veículo, uma caminhonete branca. De acordo com a polícia, Edinei ficou aguardando no Centro de Cuiabá pelo retorno do pai, que seguiu com os dois suspeitos de latrocínio para a chácara onde o negócio seria fechado, tendo sofrido a emboscada no caminho.

A polícia começou a investigar o caso após o irmão de Edinei procurar a delegacia e informar que o rapaz e o carro da família haviam desaparecido na capital.

Novo inquérito
Segundo o delegado Eduardo Rizotto, agora a polícia apura a modalidade de golpe que seria aplicado pelas vítimas no estado. “Até o momento, não localizamos vítimas do golpe, então, o crime não teria sido consolidado aqui. Mas estamos investigando para saber alguém chegou a cair no golpe e se Antônio poderá ser indiciado pelo golpe”, afirmou.

De acordo com o delegado, até esta segunda-feira (9), Antônio ainda estaria na cidade. Ele aguarda a liberação do corpo do filho para que ele seja transladado para o Paraná, onde deverá ser enterrado.

Fonte: MT Notícias