propina para comprar gadoNo termo de colaboração premiada firmado com o Ministério Público Estadual (MPE) e homologado parcialmente pela juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda, o ex-secretário de Estado de Administração, César Zilio, revelou que foi responsável em lavar dinheiro para beneficiar o ex-secretário chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf. Conforme o depoimento, duas fazendas foram adquiridas no município de Rosário Oeste, denominadas Campo Alto e Santa Bárbara, com 700 cabeças de boi.

Ambas são propriedade de Nadaf e coube a Zilio a função de ocultá-las para promover a lavagem de dinheiro, pois a compra foi feita com dinheiro vindo de atividades ilícitas. A suspeita é que ambas as propriedades tenham sido registradas em nome laranjas.

A suspeita é que Nadaf tenha pago com dinheiro de propina que recebia de empresas privadas enquanto exerceu função pública. Atualmente, Nadaf está preso desde o dia 15 de setembro pela suspeita de recebimento de propina para conceder incentivos fiscais as empresas privadas.

Nas gestões dos ex-governadores Blairo Maggi (PP) e Silval Barbosa (PMDB), Nadaf atuou como secretário de Estado de Indústria, Comércio e Mineração e chefe da Casa Civil. No depoimento prestado a Polícia Civil, César Zilio afirmou que um cheque em nome de seu pai, Antelmo Zilio, no valor de R$ 20 mil, encontrado na conta bancária do procurador aposentado do Estado, Francisco Gomes de Andrade Lima, o Chico Lima, é referente a uma venda de gado feita para atender interesses de Pedro Nadaf.

Cabia a Zilio a responsabilidade de vender gados de propriedade de Nadaf para frigoríficos e o dinheiro era depositado na conta bancária de seu pai, Antelmo Zilio, que era proprietário da fazenda e possuía inscrição estadual. “Que dessa forma, como tinha que repassar o valor da venda para Pedro Nadaf, pois se tratava da venda de animais de sua propriedade, o fazia através da emissão de cheques de seu genitor Antelmo, que Pedro Nadaf deve ter entregue esse cheque de seu genitor Antelmo para Chico Lima, pois o interrogando não possuía negócios com Chico Lima, sendo que Pedro Nadaf é quem tinha uma relação mais próxima”, comentou.

Para evitar a prisão preventiva e apostar numa redução ou até extinção da pena, o ex-secretário César Zilio se comprometeu a devolver aos cofres públicos a quantia de R$ 1,350 milhão que será paga em cinco parcelas semestrais de R$ 270 mil iniciando a primeira em junho de 2016. Como garantia do ressarcimento aos cofres públicos foi apresentada cinco salas comerciais localizadas no Edifício Helbor Dual Business Office e Corporate, localizadas em um loteamento no bairro Parque Eldorado.

No termo de colaboração premiada assinada no dia 10 de maio, Zilio também se comprometeu em apresentar no prazo de 30 dias a avaliação dos imóveis oferecidos em garantia bem como a relação das 700 cabeças de gado por idade. Também foi entregue ao Estado um terreno localizado na Avenida Beira Rio adquirido com dinheiro de propina na ordem de R$ 13,5 milhões para a construção de um Shopping Popular com 700 lojas.

A juíza Selma Arruda ainda excluiu a cláusula no termo de colaboração premiada que permitia ao Ministério Público não oferecer denúncia contra o ex-secretário César Zilio em troca de colaboração nas investigações.