Tapurah: PSF 3 fará atendimentos de Hanseníase

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Dionês PicolottoA partir de agora, o Posto de Saúde da Família (PSF) 3 terá um dia específico para atendimentos de casos e suspeitas de Hanseníase. Todas as quintas-feiras, durante todo o dia, a técnica de enfermagem, Dionês Picolotto, fará as avaliações de 7h às 11h e de 13h ás 17h.

Em Tapurah, cerca de 30 pessoas já foram diagnosticadas e realizam o tratamento contra a doença e outras três foram encaminhadas para o Centro de Especialidades em Sinop, para confirmação. Diante disso, a intenção é alertar as pessoas para que procurem atendimento caso tenham alguma suspeita. Quanto antes for realizado o tratamento, maiores as chances de cura e menores os casos de sequelas

Dionês explica que a contaminação é por contato intra domiciliar e diário. “É o convívio dentro de casa. Um dos sintomas é a dor nos nervos. Essa paciente de hoje, de 15 anos, por exemplo, está com seis troncos nervosos acometidos e doloridos. Ela tinha casos na família e só sentiu a dor porque eu apalpei. Ainda não tem câimbra e não tem dor. A irmã mais nova dela já precisa de remédios para dormir porque tem muitas dores nas pernas. O tio já tinha o diagnóstico e não mora junto, mas é parente. Também não podemos dizer que foi ele que passou para a família dela”, explica.

Ela ainda relata sobre como começou a atender essa família. “A família dela começou assim: o pai dessa paciente de hoje estava com dor na coluna. Foi em vários médicos e nunca perguntaram se ELE tinha caso de Hanseníase na família ou fizeram o interrogatório que seria legal ter feito. Pediram uma tomografia da coluna dele e o resultado deu normal, não tinha problema na coluna. Mas ele estava tendo dor porque estava com umas lesões enormes de Hanseníase. Fiquei muito feliz de poder ajudar esta pessoa. Examinei bem e encontrei as manchas. Uma enorme na perna e na coluna. O paciente em si não vê. Ás vezes só vai perceber no dia que não tiver mais pêlos”.

A técnica de enfermagem também comentou sobre a transmissão e o preconceito. “Para transmitir, as pessoas precisam estar num caso muito avançado. Depois que começam a tratar não precisa separar nada. Nem cama, nem prato, nem toalha, nem nada. Isso é preconceito. O contágio é vias áreas. É falando, é tossindo, espirrando. Mas é uma coisa muito lenta. A Hanseníase demora a aparecer.Precisamos olhar os contatos, os intra domiciliares. Eu, por atender essas pessoas aqui, por exemplo, não vou contrair a doença”.

O desenvolvimento é muito lento. Para ter sequela, só se a pessoa demorar muito para tratar ou porque são casos mais avançados. “Temos muito pacientes com sequelas, com mãos atrofiadas, atrofiamento de nervos. São quatro tipos de hanseníase: indeterminada, tuberculoide, dimorfo e virchoviana. A tuberculoide e a diforma são as que mais dão reações. Afetam mais os nervos, dá mais comprometimento neural, dá mais neurites.A maioria não tem sequelas se começar a tratar mais cedo. E a divulgação é importante justamente para isso, para as pessoas não deixarem chegar nesse ponto. O período de tratamento é 1 ano”.

Todas as pessoas que tiverem algum sintoma de Hanseníase, alguma mancha na pele, dormente, sensível, com perda de pêlos, que teve ou tem caso na família e que ainda não foi examinado, deve procurar o atendimento. “Como é um exame demorado, às vezes não dá para atendermos todos na mesma semana, mas com o passar dos dias vamos tratar todos que me procurarem. Lembrando que o atendimento é individual e sigiloso. Se for menor de idade, tem que vim com a mãe ou o pai. Tiramos fotos para mostrar para o próprio paciente porque às vezes ele não acredita porque ainda não viu que tem as manchas. É sigiloso, mas gostamos de reforçar o preconceito. Que não se tenha vergonha, de ficar escondendo. Antigamente era mais feio porque se falavam Lepra. Hoje se fala Hanseníase porque é um nome mais suave. Ás vezes ainda citamos a Lepra, para ver se preocupam em tratar. Tem paciente que temos que ligar para vim tomar a dose supervisionada, porque esquecem. Tem pessoas que criam obstáculo durante o tratamento”.

Dionês finalizou enfatizando que o tratamento sempre foi fornecido 100% pelo SUS, a não ser as vitaminas que nem sempre estão disponíveis. “O paciente vem uma vez ao mês buscar a medicação e nunca falta. Pode atrasar um dia mas é raríssimo acontecer e a questão é do próprio paciente se conscientizar e tomar o remédio todos os dias. Se ele fizer o tratamento correto, ele vai ter a cura e a melhora. Hoje temos apenas uma pessoa em Tapurah que consideramos que abandonou o tratamento. Tomou três doses apenas e não conseguimos mais fazer contato”.

Fonte: ASCOM