A decisão judicial que determinou a prisão temporária e preventiva dos 17 suspeitos de integrarem uma organização criminosa que matava pessoas por encomenda e mediante pagamento em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, aponta que um dos membros seria autor de mais de 60 execuções na cidade. A decisão é assinada pelo juiz da 1ª Vara Criminal de Várzea Grande, Otávio Peixoto.

Os suspeitos foram presos na terça-feira (26), quando foi deflagrada a operação “Mercenários” pela Polícia Civil. Entre os presos estão seis policiais militares, seis vigilantes e o gerente de uma empresa. Ao todo, a polícia acredita que o grupo preso está vinculado a pelo menos cinco homicídios ocorridos entre os dias 3 de março a 13 de abril em Várzea Grande

As investigações apontam que os integrantes do chamado grupo de extermínio agiam na cidade desde 2013, ano em que 147 homicídios foram registrados em Várzea Grande, conforme dados estatísticos da Polícia Civil. Desde então – e até o dia 31 de março deste ano –, mais 420 homicídios ocorreram na cidade.

Na decisão, o juiz Otávio Peixoto afirma que a prisão dos suspeitos – bem como o cumprimento de mandados de busca e apreensão – eram necessários para garantir a elucidação dos casos mais recentes investigados pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na cidade, uma vez que “há informações de que os suspeitos causam temor nas possíveis testemunhas”.

“É visível que os executores são bem treinados, já que consumam o crime com extrema frieza e precisão, existindo, assim, fortes suspeitas do envolvimento de policiais, fato que obviamente dificulta a prova testemunhal”, diz trecho da decisão.

O juiz reiterou a decisão afirmando que “alguns dos suspeitos são agentes públicos, isto é, pessoas que conhecem as técnicas policiais, e facilmente obstruiriam o prosseguimento dos trabalhos, sem que todos os eventuais partícipes fossem detidos”

“Mercenários“

Segundo consta na decisão, o chamado grupo de extermínio foi formado com o objetivo de matar indivíduos com antecedentes criminais, mas as investigações mostram que a organização acabou por passar a ter como principal motivação o “comércio da morte” e não apenas a justiça privada, “visto que além de indivíduos que possuem passagens criminais, ceifam vidas de forma “mercenária“.

De acordo com o juiz, os membros do grupo distribuíam as atribuições entre si informalmente, mas sempre agiam da mesma forma: no mínimo em duplas – e com agentes na preparação e retaguarda – e executando suas vítimas com diversos disparos de arma de fogo.

“Os estojos de munições encontrados nos crimes de homicídio em investigação são sempre compatíveis com um ou mais homicídios, reformando a ideia de uma única organização criminosa, formada para ceifar vidas no município de Várzea Grande”, afirmou o juiz.

Conforme a decisão, a organização tinha seis membros – entre eles, um policial militar – que se destacavam como supostos líderes dos demais, mantendo constante participação no planejamento e na execução dos crimes. Outros 11 suspeitos – entre eles, dois PMs – teriam participado de execuções sumárias, colaborando e aparelhando a realização final dos homicídios.

Fonte: G1MT