A falta de chuvas volta a castigar as lavouras de Mato Grosso. Desta vez o stress hídrico é verificado nas áreas semeadas com milho, o que pode prejudicar a produção estimada em 19,970 milhões de toneladas. Em algumas propriedades São Pedro, segundo relatos do setor produtivo, não aparece há cerca de 30 dias.

A estiagem entre meados de abril e o início de maio já havia sido comentado pelo Agro Olhar em fevereiro. A princípio estima-se para a 2ª safra de milho 2015/2016 uma produção de 19,970 milhões de toneladas e uma produtividade de 95,5 sacas por hectare. A produtividade é inferior as 106,9 sacas por hectare da safra passada.

Devido o atraso com a soja, também motivado pelo clima, 35% do milho foi semeado fora da janela ideal, que se encerrou em fevereiro.

A preocupação dos produtores é grande, conforme o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Endrigo Dalcin, principalmente pelo fato de 62% da produção prevista já ter sido comercializada.

“Os produtores estão realmente preocupados. A falta de chuva está tirando novamente o potencial climático. Esperamos que neste início de maio as chuvas retornem”, comentou Endrigo Dalcin ao Agro Olhar.

Em algumas lavouras há relatos de 30 dias sem a presença de chuvas. A região Leste é mais uma vez uma das mais castigadas.

Questionado sobre quebra na produção, o presidente da Aprosoja-MT salienta que ainda é cedo mensurar, visto ser possível encontrar as lavouras de milho em diversos estágios. “Há milho que pendoou, milho que não pendoou ainda e há milho em fase de preenchimento de grãos”.

Segundo projeções do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), entre a safra 2012/2013 e 2016/2017 há previsão de um incremento de 73% do custo de produção no milho.

“Desde a primeira estimativa para o milho estamos sendo cautelosos. Sabíamos que o plantio passaria da janela ideal”, comenta o superintendente do Imea, Daniela Latorraca.

Circuito Tecnológico do Milho

Nesta segunda-feira, 25 de abril, a Aprosoja-MT iniciou o terceiro Circuito Tecnológico Etapa Milho. Serão percorridos cerca de 27 municípios por cinco equipes com técnicos da Associação e pesquisadores da Embrapa Agrossilvipastoril (Sinop) e Embrapa Milho e Sorgo (Minas Gerais).

“Os objetivos do Circuito Tecnológico Etapa Milho é quantificar a realidade do campo (investimento) e o milho Bt (resistência)”, explica Cid Sanches, Gerente de Planejamento da Aprosoja-MT.

Os dados coletados no Circuito, de acordo com Endrigo Dalcin, serão posteriormente apresentados aos produtores de milho de Mato Grosso. A intenção é auxiliar também nas tomadas de decisões para a próxima safra.

Fonte: Olhar Direto