peixe rio são joseUm milhão de alevinos de espécies diversas de peixes nativos das águas dos Rios Arinos e Claro foram soltos,  em cinco anos do projeto “Peixe Vivo”, desenvolvido em São José do Rio Claro (315 km a Nordeste) pela Polícia Judiciária Civil em parceria com o Poder Judiciário da comarca.

No sábado (12.03) aconteceu mais uma etapa de soltura de 200 mil filhotes de peixes, sendo 70 mil matrinxãs e 130 mil piaus. Os alevinos foram depositados no encontro dos dois rios, no complexo do festival, por mais de 70 alunos de duas escolas da rede pública do município de São José do Rio Claro, com a participação também de cerca de 120 pessoas ligadas a Associação Peixe Vivo, instituições e moradores.

Neste domingo (13. 03), 20 mil filhotes serão soltos no córrego Cristalino afluente do Rio Sangue, no município de Nova Maringá (400 km a Médio-Norte). No final de semana passado, a soltura dos filhotes ocorreu em Nova Mutum (264 km ao Norte) às margens do Rio Arinos.

De projeto, a ação iniciada no ano de 2012 com apenas 10 voluntários se transformou na Associação Peixe Vivo de São José do Rio Claro. Hoje conta com mais de 100 pessoas da comunidade envolvidas nas atividades, que visam combater a pesca predatória e promover o repovoamento de espécies em rios.

A ação foi idealizada pelo investigador e biólogo da Polícia Civil, Rodrigo de Matos Emiliano, em conjunto com o então juiz da comarca, Walter Tomaz da Costa, diante da constatação da intensa práticapredatória, que estava causando danos ambientais, gerando visível redução do número de peixes, além de intensa degradação das áreas de preservação permanente, colocando em risco o equilíbrio ecológico local e a atividade econômica e turística da pesca.

A partir do projeto, o Judiciário passou a converter ações penais dos crimes ambientais em prol do próprio meio ambiente. “Esse é um projeto único no Brasil, que tem ações penais convertidas para o meio ambiente, com essa vertente de fazer o repovoamento dos rios”, disse o investigador.

Passados cinco anos, o projeto foi fortalecido e continua a ser financiado por meio de redirecionamento de recursos de transações penais celebradas em processos que tramitam no Juizado Especial. A iniciativa também conta com o apoio da população do município de São José do Rio Claro, conhecido como a “Capital do Matrinxã”, nome dado em homenagem ao peixe símbolo da região.

O juiz Walter Tomaz da Costa, que agora está na comarca de Colíder, destacou a importância da consciência social gerada pelo projeto. “Foi uma maneira que encontramos na época de atender a vocação da região,que é o peixe matrinxã, e tem os crimes ambientais do Juizado Especial, que procuramos conciliar as transações penais em retribuição à sociedade”, disse.

O juiz pontuou que embora se use o termo alevinos, que seriam peixes de cerca de 5 centímetros, as espécies soltas têm entre 15 e 18 cm, que em um ano já estão com as medidas permitidas e em condições de serem pescados. “Quando pensa em 70 mil matrinxãs e se sobrevier 80% teremos muito peixe no rio. Isso é um exemplo de conscientização que transmitimos à sociedade, levando os jovens, as pessoas a enfatizarem a importância de preservar o meio ambiente”, destacou.

Os filhotes soltos no quinto ano do projeto desenvolvido pela Associação Peixe Vivo  foram todos cultivados em uma pousada, em São José do Rio Claro. Para compra dos peixinhos, a Associação aplicou cerca de R$ 100 mil, oriundo das ações penais tramitadas no Juizado Especial. O dinheiro é depositado em uma conta específica, destinada ao projeto. Quando da soltura, os alevinos são coletados dos tanques e depositados nos Rios Arinos e Claro.

Fiscalizações e operações policiais de combate à pesca predatória e outros crimes ambientais, são realizadas para conscientização da população sobre a necessidade de preservação dos recursos naturais de toda a região.

Novos projetos

Para 2016, a Associação Peixe Vivo irá implantar outros dois projetos sociais para atender crianças carentes do município. Entrará em funcionamento uma escolinha de futebol para 50 meninos e meninas de comunidades carentes, que estão matriculados e frequentando escolas e ainda com notas boas. Outra atividade será aulas de capoeiras.

 

Fonte: Nortão Notícias